Nercinda C. Heiderich
Declaração Universal dos Direitos Humanos*

1. Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos.

2. Toda pessoa deve possuir os mesmos direitos e liberdades, sem qualquer distinção.

3. Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

4. Ninguém será mantido em escravidão ou servidão.

5. Ninguém será submetido a torturas ou castigo cruel.

6. Todo ser humano será reconhecido como pessoa perante a lei.

7. Toda pessoa deve ser protegida igualmente perante a lei, sem discriminação.

8. Toda pessoa deve ter acesso à justiça para reparar violação dos seus direitos.

9. Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.

10. Toda pessoa tem direito a julgamento público, imparcial e justo.

11. Toda pessoa acusada será presumida inocente até que sua culpa seja provada.

12. Ninguém sofrerá interferências em sua vida privada, nem ataques a sua honra e reputação.

13. Toda pessoa tem o direito de ir e vir, bem como o de residir dentro ou fora de seu país.

14. Toda pessoa perseguida tem direito a procurar asilo em outro país.

15. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade.

16. Toda pessoa tem o direito de constituir família, mas não será obrigada a isso.

17. Toda pessoa tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.

18. Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião.

19. Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e de expressão.

20. Toda pessoa tem direito de se reunir e de se associar, pacifi camente, não podendo ser

obrigada a isso.

21. Toda pessoa tem direito de participar do governo, de ter acesso ao serviço público e de

eleger livremente seus representantes.

22. Toda pessoa possui direitos econômicos, sociais e culturais.

23. Toda pessoa tem direito ao trabalho, a um salário justo e à sindicalização.

24. Toda pessoa tem direito ao repouso, ao lazer e a férias remuneradas.

25. Toda pessoa tem direito à saúde, ao bem-estar e à proteção social, principalmente as mães

e as crianças.

26. Toda pessoa tem direito a uma educação de qualidade, que garanta o pleno desenvolvimento

da personalidade humana.

27. Toda pessoa tem direito a participar da vida cultural e receber os benefícios do progresso da ciência.

28. Toda pessoa tem direito a uma ordem social e internacional onde cada país respeite os

princípios desta declaração.

29. Toda pessoa tem o dever de contribuir para que os direitos de todos sejam respeitados,

conforme os princípios das Nações Unidas.

30. Nenhuma pessoa, grupo ou Estado poderá suprimir os direitos e liberdades estabelecidos

nesta Declaração.

* Versão simplifi cada, elaborada pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República durante as

comemorações do 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 2008.
Nercinda C. Heiderich
O que melhora no atendimento
é o contato afetivo de uma pessoa com outra
O que cura é a alegria,
o que cura é a falta de preconceito."

Nise da Silveira

"Não pense em termos de certo ou errado, melhor ou pior.
Não seja contra ou a favor.
Nas colinas, durante a primavera, não há melhor ou pior...
os ramos floridos crescem naturalmente, uns longos outros curtos."

Bruce Lee

Seria bom se fôssemos todos iguais em aparência,
de forma a confundirmos uns com os outros.
Ou que ao menos respeitássemos as diferen
Nercinda C. Heiderich
Eu Aprendi

Cerca de 589 frases e pensamentos: eu aprendi

Eu aprendi……que eu não posso exigir o amor de ninguém.
Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim e ter paciência para que a vida faça o resto;…que não importa o quanto certas coisas são importantes para mim, tem gente que não dá a mínima e jamais conseguirei convencê-las;…que posso passar anos construindo uma verdade e destruí-la em apenas alguns segundos.

Eu aprendi……que posso usar meu charme por apenas 15 minutos, depois disso, preciso saber do que estou falando;…que posso fazer algo em um minuto e ter que responder por isso o resto da vida;…que por mais que você corte um pão em fatias, esse pão continua tendo duas faces, e o mesmo vale para tudo que cortamos de nosso caminho.

Eu aprendi……que vai demorar muito para me transformar na pessoa que quero ser e devo ter paciência;…que posso ir além dos limites que eu próprio me coloquei;…que eu preciso escolher entre controlar meu pensamento ou ser controlado por ele.

Eu aprendi……que os heróis são pessoas que fazem o que acham que devem fazer naquele momento, independentemente do medo que sentem;…que perdoar exige muita prática;…que há muita gente que gosta de mim, mas não consegue expressar isso.

Eu aprendi……que nos momentos mais difíceis, a ajuda veio justamente daquela pessoa que eu achava que iria tentar piorar minha vida;

Eu aprendi……que eu posso ficar furioso, tendo o direito de me irritar, mas não tenho o direito de ser cruel.

Eu aprendi……que a palavra “AMOR” perde o sentido, quando usada sem critério;…que certas pessoas vão embora de qualquer maneira;…que é difícil traçar uma linha entre ser gentil, não ferir as pessoas, e saber lutar pelas coisas que eu acredito.

Se aprendessemos algumas coisas, tudo seria mais fácil…certas coisas realmente eu já aprendi…outras…ainda não…estou tentando…o que vale é a intenção...William shakespeare
Nercinda C. Heiderich
Vem ser comigo
Quero ser contigo
Mas não tem que ser
Do mesmo jeito que eu costumo ser
No que for igual caminharemos juntos
E as diferenças a gente respeita

Na mesma ciranda
E no mesmo jardim
Há flores diferentes
No mesmo canteiro
E na mesma sementeira
Há brotos diferentes e delicados

Não são iguais, não é a mesma coisa
Mas o cuidador sabe o que fazer
Só quem não é cuidador
Não consegue entender!
Só quem não é cuidador
Não consegue entender!

Diferentes mas iguais
É preciso e é possível ser diferente
Pensar e agir diferente
Mas viver e ser em paz

Elias J. Silva
Nercinda C. Heiderich
Convido você a caminhar pelos caminhos da PAZ

A navegar nas águas puras da PAZ
A escalar as montanhas da PAZ

A descer às planícies da PAZ
A mergulhar nas profundezas da PAZ
A desvendar os mistérios da PAZ

Quero que a PAZ aconteça
Quero a PAZ dos vivos
Não quero a paz dos mortos
Quero a PAZ dos livres
Não quero a paz dos cativos
Quero a PAZ que engrandece
Não quero paz que aliena
Quero PAZ real
Não quero paz alienígena

Quero PAZ de entendimento
De Justiça
De igualdade
De vida plena
De liberdade
De solidariedade

Quero PAZ de ternura
De amor
De perdão
De carinho
De benquerença
De amizade

Quero a PAZ da conquista
Da luta pela causa justa
Da partilha dos bens e dos valores humanos
Da socialização do Saber
Do Ser pleno
E do Ter social bem distribuído

Não quero a paz das catacumbas
Não quero a paz dos escombros
Não quero a paz das cavernas
Não quero a paz dos poderosos
Não quero guerra!
O que eu quero é PAZ!

Quero PAZ para viver
Quero a PAZ que traz a luz
Quero a PAZ do amanhecer
E no entardecer quero PAZ
Quero a PAZ dos corações
Quero a PAZ das multidões
Quero PAZ social
Quero PAZ coletiva
Quero PAZ em mutirão
Quero a PAZ da SAÚDE em plenitude
Quero PAZ comunitária
E o mundo uma só nação!

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Nercinda C. Heiderich
A ESPIRITUALIDADE DA VERGONHA

Na oração de confissão de Daniel há uma declaração que vem se tornando cada dia mais rara entre nós: "
A ti, ó Senhor, pertence a justiça, mas a nós, o corar de vergonha” (Dn 9.7). Isto não acontece mais.
Somos demasiadamente tolerantes para “corar de vergonha”.
Mesmo diante de fatos trágicos e deploráveis que vemos todos os dias, o máximo que conseguimos é uma indignação passageira. Porém, é a possibilidade de corar de vergonha que não me permite rir da corrupção, achar normal a promiscuidade, conviver naturalmente com a maldade e a mentira, ou, ainda, achar graça da injustiça.

Vivemos numa cultura que se orgulha do pecado, glamourizando-o através dos meios de comunicação, fazendo das tribunas públicas um palco de mentiras, organizando marchas para celebrá-lo, rindo da corrupção, exaltando a esperteza.

E ninguém fica corado de vergonha.

Daniel contrasta, de um lado, a natureza justa de Deus e, de outro, a corrupção e a injustiça do seu povo. Ele só é capaz de fazer isto porque sua ética e moral estão ancoradas em verdades absolutas sobre as quais não pode haver tolerância. A conclusão a que ele chega é que, diante da justiça divina e do quadro trágico de um povo que se orgulha de sua maldade, o que sobra é o

“corar de vergonha”.

Ele nos apresenta aqui a importância de uma vergonha saudável e essencial na preservação da dignidade humana e espiritualidade cristã.

A vergonha aqui é a virtude que nos ajuda a reconhecer nossos erros, limitações, faltas e pecados porque ainda somos capazes de perceber que existe algo melhor, mais belo, mais sublime, mais nobre, mais justo, mais santo e mais humano pelo qual vale a pena lutar.

A vergonha nos impõe um limite.

É por isto que o caminho para o crescimento e amadurecimento passa pela capacidade de ficar corado de vergonha diante de tudo aquilo que compromete a justiça e a santidade.

No caminho da santidade lidamos com o amor, verdade, bondade, justiça, beleza, entrega, doação e cuidado. A falta de vergonha nos leva a negar este caminho e optar pela mentira, manipulação, engano, falsidade, hipocrisia e violência.

“Corar de vergonha” é uma virtude que falta na experiência espiritual moderna, a virtude de olhar para o pecado que habita em nós, a mentira e o engano que residem nos porões da alma, a injustiça que se alimenta do egoísmo, a malícia que desperta os desejos mais mesquinhos, e se entristecer.

Precisamos reconhecer que foram os nossos pecados que levaram o Santo Filho de Deus a sofrer a vergonha da cruz. Quando olhamos para a cruz e contemplamos nela a beleza e a pureza do amor, só nos resta “corar de vergonha”.

Pr. Ricardo Barbosa – Revista Ultimato – Com adaptações.
Pr. Robson Wesley
Estudo publicado no Boletim IMGD Setembro/2008
Nercinda C. Heiderich
FILOSOFIA DE VIDA E O TEMPO DO NATAL
Enviado por Elias J. Silva, seg, 20/12/2010 - 14:10
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Hoje quero abrir os olhos para a vida
Quero despertar para outros mundos
Quero apreender valores
Que me tornem mais humano
E me levem a ser melhor

Quero me sentir motivado
A rejeitar os preconceitos
E superar os que já tenho
Quero ter a sensibilidade
De entender o outro
E ser um facilitador
Nunca um complicador

Quero ser uma trilha
Nunca um beco sem saída
Uma ponte
Nunca uma ilha

Quero ter o necessário para viver
Sem, contudo, explorar ninguém
Nem me deixar explorar

Quero me esforçar para ser justo
Mesmo vivendo numa sociedade
Fundamentada na injustiça
Quero saber dar valor à vida
Nunca banalizá-la
E nem me deixar levar pela violência

Quero ter a coragem de rejeitar
E denunciar toda cultura de morte
Tudo que agride a vida
Quero aprender a ser solidário e fraterno
Quero desaprender o egoísmo e o desamor
Quero olhar sempre a vida de frente
Andar com passos firmes na direção do futuro
Quero olhar o passado e dele tirar ensinamentos
Para que o presente seja com maior acerto

Quero enfim, manifestar a minha humanidade
Valorizando o SER
Partilhando o ter e o SABER
Repartindo o pão para gerar mais pão
E participando com toda energia
Do grande banquete da vida

São estes propósitos que me embalam a reflexionar sobre o Natal buscando recuperar em mim e enxergar no universo os valores e o sentido de Nascimento, renovação e comunhão. Na perspectiva do nascimento é possível resgatar o universo-criança que há em todos nós. O universo-criança aponta-nos o sentimento de renovação permanente que devemos perseguir nesta nossa caminhada existencial. A renovação faz parte da nossa razão de existir, posto que existir é fundamentalmente o ato de renovar-se a cada momento. São as atitudes proativas, generosas, acolhedoras e carregadas de humanidade que produzem a verdadeira comunhão: de idéias e de ações que traduzem a esperança da luta pela vida. Holisticamente, que o nosso Natal seja luz e energia limpa, que para além do consumo banal sejamos estrelas que fazem o universo brilhar!

Novo tempo
Nova vida
Na plenitude do Natal
O amor se faz partilha
De um presente sem igual

É Natal do Senhor Jesus
Tempo de festa em que a vida reluz

É Natal de amor e luz
Tempo de festa em que a vida reluz!

Feliz Natal! 2011 com muita saúde para todos e todas!

Acolham esta mensagem com o nosso desejo profundo de Boas Festas e de Saúde e Paz em 2011!
Elias José da Silva - Educador popular, poeta e coordenador do Programa Cirandas da Vida.
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Nercinda C. Heiderich
TRECHO DA CARTA DE PAULO AOS CORÍNTIOS



"Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine.


Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência: ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver amor, nada serei.

E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso se aproveitará.


O amor é paciente, é benigno, o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz incovenientemente, não procura seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade.


Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

O amor jamais acaba. Mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará.
Porque em parte conhecemos e em parte profetizamos. Quando porém vier o que é perfeito, o que então é em parte, será aniquilado.

Quando eu era menino, falava como um menino, sentia como menino. Quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino.
Porque agora vemos como um espelho, obscuramente, e então veremos face a face; agora conheço em parte, e então conhecerei como sou conhecido.
Agora, pois, permanecem a Fé, a Esperança e o Amor. Estes três.


Porém o maior deles é o Amor
Nercinda C. Heiderich
IMPORTANTE !

PROJETO ESCOLA PÚBLICA

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 480, DE 2007, DETERMINA A OBRIGATORIEDADE DE OS AGENTES PÚBLICOS ELEITOS MATRICULAREM SEUS FILHOS E DEMAIS DEPENDENTES EM ESCOLAS PÚBLICAS ATÉ 2014.

Projeto obriga políticos a matricularem seus filhos em escolas públicas.
Uma idéia muito boa do Senador Cristovam Buarque.
Ele apresentou um projeto de lei propondo que todo político eleito (vereador, prefeito, Deputado, etc.) seja obrigado a colocar os filhos na escola pública.
As conseqüências seriam as melhores possíveis.

Quando os políticos se virem obrigados a colocar seus filhos na escola pública, a qualidade do ensino no país irá melhorar. E todos sabem das implicações decorrentes do ensino público que temos no Brasil.

SE VOCÊ CONCORDA COM A IDÉIA DO SENADOR, DIVULGUE ESSA MENSAGEM. Ela pode, realmente, mudar a realidade do nosso país.

O projeto PASSARÁ, SE HOUVER A PRESSÃO DA OPINIÃO PÚBLICA.

Desde o começo de 2009 ele se encontra parado na CCJ - Comissão de Justiça.
Ainda que você ache que não pode fazer nada a respeito, pelo menos passe adiante para que chegue até alguem que pode fazer algo.

http://legis.senado.gov.br/mate-pdf/10943.pdf

http://www.senado.gov.br/atividade/Materia/detalhes.asp?p_cod_mate=82166
-- Romney LimaProfessor de Históriawww.historiaatravesdamusica.com.br
Nercinda C. Heiderich
Hoje faz exatamente, quatro anos que você partiu.
Para mim, minha querida, o tempo não passou,
Estou revivendo tudo o que aconteceu naquele dia,
Quatro de dezembro de 2006.
A hora em que sai de casa, a hora em que cheguei à Clínica De Repouso Santa Isabel LTDA, em Cachoeiro do Itapemirim no ES,
As duas horas e meia de espera que a assistente social me disse pra aguardar,
Sem esquecer de levar o biscoito de chocolate e o refrigerante que você pediu,
O momento de entrada, quando citei seu nome e desespero de não poder entrar,
Das minha pernas travadas, na entrada...
O meu ser não queria acreditar na tragédia anunciada no rosto das duas enfermeiras à porta da entrada do pátio de visitação.
Do momento em que me levaram para a sala da assistente social, onde já me aguardavam.
O meu grito de angustia ainda ecoa dentro do meu peito,
Ferido de morte, o meu coração, constantemente sangra. Pois, o mesmo punhal que cravaram em seu peito
É o mesmo que está cravado no meu.
Lutando por justiça, continuo, pois, tenho certeza plena que,
Sua morte não foi em vão.... Eras uma guerreira
Não se curvava diante das injustiças e dos maus tratos, especialmente, aos menos favorecidos.
Você nem tinha noção do significado da palavra, " DIREITOS HUMANOS".
Mas, possuía uma característica que muitos não possuem: "JUSTIÇA”.
Bem sei que não me ouves, nem mais sabes de coisa alguma daqui.Pois, a este mundo não pertences mais.Já descansas nos braços do PAI.
Até a volta de Cristo!
Sua mãe que nunca, nunca ha de te esquecer.
Nercinda
Nercinda C. Heiderich
E quando nada vai bem...

terça-feira, 23 de novembro de 2010 , Postado por Felipe Heiderich at 00:09
Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto nas vides; ainda que o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; ainda que o rebanho seja exterminado da malhada e nos currais não haja gado, todavia eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação. Habacuque 3.17,18

Quando Habacuque proferiu essas palavras há centenas de anos antes de Jesus, talvez ele não fazia idéia de que mesmo depois de milhares de anos suas palavras se tornariam extremamente atuais como se fazem hoje em dia.

O mundo religioso tem mergulhado em teologias, fantasias onde cada vez mais vemos os olhares se voltando para o homem e não para D-us. Perdemos o equilíbrio entre o Teocentrismo e o Antropocentrismo e mergulhamos fundo num Humanismo desumano. Tudo tem se tornado válido, desde que seja bom pra mim.

Surge um evangelho maquiavélico, onde os fins têm justificado os meios e com a benção de D-us!
Num tempo onde a prosperidade e a ganância têm invadido as igrejas, apregoando bênçãos financeiras a qualquer custo, fico pensando nas palavras de Habacuque que se tornam tão vivas nos dias de hoje.

Habacuque fala de 3 árvores bem conhecidas na Bíblia: Figueira, Videira e Oliveira.
Nos textos Bíblicos a Figueira se refere a cura (2Rs 20.5-7) a Videira, que produz o vinho, nos remete ao sangue de Jesus e por conseguinte à salvação e por fim a Oliveira que produz o azeite, muito usado para fazer os óleos da unção nos faz apologia a unção do Espírito Santo.

Habacuque nos diz que mesmo que eu não enxergue cura para minha doença, mesmo que ache que não há salvação e mesmo que surja aflição tamanha que não reconheça a voz do Espírito, mesmo assim ele se alegraria no Senhor. Mesmo que não haja gado ou ovelhas e a fome bata a sua porta, todavia ele não se esqueceria do Senhor e nem por isso estaria sobre maldição, mas sim sendo moldado pelo criador.

O profeta nos mostra que a vida pode ser difícil ou não. Não interessa as circunstâncias. O que interessa é o alvo, e este não são os bens materiais, amizades, fama ou saúde, o seu foco foi e sempre será o SENHOR CRIADOR.
Palavras mais que atuais nos dias de hoje. Pense
Nercinda C. Heiderich

Tenho estado muito tocada nos últimos tempos com as relações entre profissionais e usuários .

Algo me inquieta, incomoda mais que em outros momentos e me pergunto o que significa isso.

Essa semana, conversava com uma amiga sobre as questões do SUS e contei-lhe alguns relatos de profissionais feitos nas rodas dos hospitais do RN e das cenas vivas nos corredores dos mesmos, que evidenciam a profunda desqualificação dos usuários e das suas demandas, por parte dos trabalhadores. Algumas ainda me vêm à mente de maneira forte, como por exemplo, a fala de um médico se dirigindo à uma mulher que chorava alto com o joelho muito machucado. O médico pedia que a mesma parasse com aquilo, e que, mesmo se um trator tivesse passado por cima do seu joelho, não precisava dar tanto “chilique”. Noutra cena, respondendo a um apelo de ajuda de uma técnica de enfermagem para levantar um homem do chão, o maqueiro grita: “deixe aí mesmo! Ele é um drogado.” Contei-lhe, por fim, o relato que mais tinha mexido comigo e levou-me a parar e pensar insistentemente nessa relação. Trata-se do momento em que uma técnica de enfermagem dava banho numa paciente, quando outra colega aproximou-se e disse que ela não podia dar banho na usuária com aquele balde, pois o mesmo era de limpeza do hospital, ao que lhe respondeu prontamente e de forma grosseira a colega: “não se preocupe porque depois posso passar álcool nela”.


Minha amiga destacou que, como sempre, eu mostrava estranheza frente àquelas situações tão conhecidas. Mas, naquele dia em particular, minha inquietude parecia diferente, comparando com outros momentos. Realmente, ela tinha razão. Eu estava pensativa, como se aquele corriqueiro tivesse me desafiado de outra forma. Comecei a observar melhor esses relatos do cotidiano, a observar as falas, os fatos, as pessoas, suas razões. Aqueles comportamentos se revelavam para mim, há muito tempo, como um dos maiores contrassensos na vida do profissional da saúde: alguém que se oferta como cuidador e no lugar disso, maltrata. Coisa estranha! Mas, sabia que essa era uma realidade e que todos nós lutávamos no sentido de mudá-la e, por isso mesmo, tinha sido criada a PNH. Fiquei “matutando” sobre esse nome, humanização, que já tinha me feito passar por muitas chateações nas centenas de rodas que participei, durante esses seis anos em que sou consultora dessa politica. Ainda escuto os participantes gritando em minha direção: porque essa palavra humanização? Por acaso somos bichos? Que coisa esquisita esse nome! Brigava comigo mesma porque, lá no intimo, também pensava que não tinha sido a melhor escolha. Somente tempos mais tarde entendi muito bem, porque seus fundadores escolheram exatamente essa palavra: humanização. Sim, essa palavra traduz bem um apelo a nós mesmos, joga na nossa cara algo que fica turvo, difícil de enxergar porque instituído, naturalizado, legitimado. Enxergar esse jeito de operar a vida, muitas vezes sem escrúpulos, ultrapassando os limites do outro, colocando-o na condição de objeto e até mesmo de lixo. Simples! Simples assim como estou falando.

Uma cultura na qual a relação é mais importante que o direito, onde o jeitinho se impõe como forma de resolução dos problemas, onde os interesses pessoais e de grupos ultrapassam os projetos coletivos e o bem comum. Nesse dia voltei para casa pensando nos meus movimentos, em mim mesma, achando que essa semana estava fadada aos questionamentos para todos os lados e conclui: estou em crise! Quando saí do hospital, fui almoçar com minha mãe e com ela tive uma conversa interessante sobre a sua família de origem e seus antepassados e, dessa conversa, transportei para minhas reflexões as relações dos coronéis, dos senhores de engenho com seus “protegidos”. Relações que revelam o paternalismo, o autoritarismo, a hierarquia, a subserviência, o toma lá da cá, a troca de favores e a bajulação. Nessa conversa, minha mãe falou ainda, que o autor do 1808 havia dado uma entrevista na TV, falando do mesmo assunto. Afirmava ele que, no período colonial, no Rio de Janeiro, a elite dita branca tinha uma relação de bajulação com a corte portuguesa e que a troca de favores e a corrupção se constituíam como práticas privilegiadas . Laurentino acrescentara ainda: “nunca o país foi tão corrupto quanto no período colonial!” É isso! Ainda corre no nosso “sangue” todos esses ingredientes. Imaginei que seria saudável encarar essa herança frente à frente, olhar com atenção e discutir nas rodas como esse “jeitinho” se inscreve no nosso dia a dia, no trabalho, na vida; olhar para essas imagens sem medos, sem preconceitos, com calma, buscando entender como nos constituímos, e aí, poder abraçar o que de maravilhoso herdamos da nossa mestiçagem e nos desvencilharmos dos legados indevidos, desatando as amarras que nos prendem e nos inscrevem na pequenez humana.

Grande abraço queridos e queridas companheir@s.

Sheylla


Nercinda C. Heiderich
SALMOS 137








Às margens dos rios da Babilônia, nós nos assentávamos e chorávamos, lembrando-nos de Sião.

Nos salgueiros que lá havia, pendurávamos as nossas harpas, pois aqueles que nos levaram cativos nos pediam canções, e os nossos opressores, que fôssemos alegres, dizendo:
Entoai-nos algum dos cânticos de Sião.

Como, porém, haveríamos de entoar o canto do SENHOR em terra estranha?

Se eu de ti me esquecer, ó Jerusalém, que se resseque a minha mão direita.
Apegue-se-me a língua ao paladar, se me não lembrar de ti, se não preferir eu a minha maior alegria.
Contra os filhos de Edom, lembra-te, SENHOR, do dia de Jerusalém, pois diziam: Arrasai, arrasai-a, até aos fundamentos.
Filha da Babilônia, que hás de ser destruída, feliz aquele que te der o pago do mal que nos fizeste.

Feliz aquele que pegar teus filhos e esmagá-los contra a pedra.
Nercinda C. Heiderich
O QUE EU TENHO A VER COM A CORRUPÇÃO?


Poderia dizer que não sou corrupta. Não sou literalmente! O que dizer da nossa moeda que não devolvem o troco de centavos e nos rendemos diante de tal comportamento dos comerciantes e banqueiros? Diretamente não sou.

Há bem pouco tempo, numa compra pedi o troco de R$ o centavos. a A caixa do supermercado abriu a gaveta, me devolvendo, sem reclamar. Pasmem! Agaveta estava abarrotada de moedas de 0,1 centavo.

Ontem fiz um pagamento no banco com todo mês o faço, no valor R$000,07 centavos e o caixa me cobrou 000, 10 centavos, sem nenhuma explicação. Aí alguém pergunta:

Como você viu estas moedas?


Moro no Interior e, ainda não corremos o risco de sermos assaltados nas ruas.

O que eu tenho a ver com a corrupção?

I
Indiretamente, contribuo para tal comportamento corrupto.
Para onde estão indo estas moedas de R$0,1 centavo? Se eu cobro, faço questão de pouca coisa. Pouca coisa? E para os banqueiros, comerciante?
Nercinda C. Heiderich
O Paradoxo do Nosso TempoNós bebemos demais, gastamos sem critérios. Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores.

Nós amamos raramente, e odiamos freqüentemente.
Aprendemos a sobreviver, mas não a viver.
Adicionamos anos à nossa vida, e não vida aos nossos anos.
Fomos e voltamos à Lua, mas não cruzamos a rua pra encontrar um novo vizinho.Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio.
Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores.
Limpamos o ar, mas poluímos a alma; Dominamos o átomo, mas não nosso preconceito; Escrevemos mais, mas aprendemos menos; Planejamos mais, mas realizamos menos.
Aprendemos a nos apressar e não, a esperar.
Construímos mais computadores, mas nos comunicamos cada vez menos.
Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta;
Tempo do homem grande de caráter pequeno;
Dos lucros acentuados e relações vazias.

Essa é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados.
Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis. Dos cérebros ocos e das pílulas "mágicas".
Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa.
Uma era que leva essa carta a você, e uma era que te permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar em “delete”.

Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas não estarão por aqui para sempre.
Lembre-se dar um abraço carinhoso em seus pais, num amigo, pois não lhe custa um centavo sequer.
Lembre-se de dizer "eu te amo" à sua esposa (o) e às pessoas que ama.

Mas em primeiro lugar, se ame... se ame muito e a Deus sobre todas as coisas. Um beijo e um abraço curam a dor, quando vêm de lá de dentro.
Por isso, valorize sua família e as pessoas que fazem parte de sua vida.

É POR TUDO ISSO QUE DIGO:EU TE AMO!George Carlin
Nercinda C. Heiderich

Enquanto a figura de Óscar Schindler era aclamada pelo mundo graças a Steven Spielberg, que se inspirou nele para rodar a película que conseguiria sete prémios Oscar em 1993, narrando a vida deste industrial alemão que evitou a morte de 1.000 judeus nos campos de concentração, Irena Sendler continuava a ser uma heroína desconhecida fora da Polónia e apenas reconhecida no seu país por alguns historiadores, já que, nos anos de obscurantismo comunista, tinham apagado a sua façanha dos livros oficiais de história.

Além disso, ela nunca contou a ninguém nada de sua vida durante aqueles anos.

Contudo, em 1999 a sua história começou a ser conhecida, curiosamente, graças a um grupo de alunos de um instituto do Kansas e ao seu trabalho de final de curso sobre os heróis do Holocausto.

Na sua investigação conseguiram muito poucas referências sobre Irena. Só tinham um dado surpreendente: tinha salvo a vida de 2.500 crianças.

Como era posssível que houvesse tão escassa informação sobre uma pessoa assim?

A grande surpresa chegou quando, depois de procurar o lugar da tumba de Irena, descobriram que não existia a dita tumba, porque ela ainda vivia, …e de facto ainda vive…

Hoje é uma anciã de 97 anos que reside num asilo do centro de Varsóvia, num quarto onde nunca faltam ramos de flores e cartas de agradecimento, procedentes do mundo inteiro.

Quando a Alemanha invadiu o país em 1939, Irena era enfermeira no Departamento de Bem-estar Social de Varsóvia, o qual administrava as cozinhas sociais comunitárias da cidade.


Em 1942, os nazis criaram um ghetto em Varsóvia. Irena, horrorizada pelas condições em que se vivia ali, uniu-se ao Conselho para a Ajuda de Judeus.

Conseguiu identificações da repartição de saúde, uma de cujas tarefas era a luta contra as doenças contagiosas.

Como os alemães invasores tinham medo de uma possível epidemia de tifo, permitiam que os polacos controlassem o recinto.

De imediato se pôs em contacto com as famílias às quais lhes ofereceu levar os seus filhos para fora do ghetto…

Mas não lhes podia dar garantias de êxito.

Era um momento horroroso, devia convencer os pais de que lhe entregassem os seus filhos, e eles preguntavam-lhe:


"Podes prometer-me que o meu filho viverá…?"


…mas que podia alguém prometer, quando nem sequer se sabia se conseguiriam sair do ghetto?

A única certeza era que as crianças morreriam, se permanecessem nele.

As mães e as avós não queriam separar-se dos seus filhos e netos. Irena entendia-as muito bem, pois ela mesma era mãe, e sabia perfeitamente que, de todo o processo que ela levava a cabo com as crianças, o momento mais duro era o da separação.

Algumas vezes, quando Irena ou as suas ajudantes voltavam para visitar as famílias e tentar fazê-las mudar de opinião, descobriam que todos tinham sido levados de comboio para os campos da morte.

Cada vez que lhe acontecia algo deste género, lutava com mais força por salvar mais crianças.

Começou a tirá-los em ambulâncias como vítimas de tifo, mas de imediato se valeu de tudo o que estava ao seu alcance para escondê-los e tirá-los dali: caixotes de lixo, caixas de ferramentas, carregamentos de mercadorias, sacos de batatas, ataúdes... nas suas mãos qualquer elemento se transformava numa via de escape.

Conseguiu recrutar pelo menos uma pessoa de cada um dos dez centros do Departamento de Bem-estar Social.

Com a sua ajuda, elaborou centenas de documentos falsos com assinaturas falsificadas dando identidades temporárias às crianças judias.

Irena vivia os tempos da guerra pensando nos tempos da paz.

Por isso, não lhe bastava somente manter essas crianças com vida.

Queria que um dia pudessem recuperar os seus verdadeiros nomes, a sua identidade, as suas histórias pessoais, as suas famílias.

Então, ideou um arquivo em que registava os nomes das crianças e das suas novas identidades.

Anotava os dados em pequenos pedaços de papel e guardava-os dentro de frascos de conserva que depois enterrava debaixo de uma macieira no jardim do seu vizinho.

Ali guardou, sem que ninguém o suspeitasse, o passado de 2.500 crianças… até que os nazis se foram embora.

Mas um dia os nazis souberam das suas actividades.

Em 20 de Outubro de 1943, Irena Sendler foi detida pela Gestapo e levada para a prisão de Pawiak, onde foi brutalmente torturada.

Num colchão de palha da sua cela, encontrou uma estampa de Jesus Cristo.

Conservou-a como o resultado de um acaso milagroso naqueles duros momentos da sua vida, até ao ano de 1979, em que se desfez dela e a obsequiou a João Paulo II.

Irena era a única que sabia os nomes e as direcções das famílias que albergavam as crianças judias; suportou a tortura e recusou-se a atraiçoar os seus colaboradores ou qualquer das crianças ocultas.

Quebraram-lhe os pés e as pernas além de lhe imporem inumeráveis torturas.

No entanto, ninguém pôde quebrar a sua vontade.

Assim, foi sentenciada à morte. Uma sentença que nunca se cumpriu, porque a caminho do lugar da execução, o soldado que a levava, deixou-a escapar.

A resistência tinha-o subornado, porque não queriam que Irena morrese com o segredo da localização das crianças.

Oficialmente figurava nas listas dos executados, daí que, a partir de então, Irena continuou a trabalhar, mas com uma identidade falsa.

Ao findar a guerra, ela mesma desenterrou os frascos e utilizou as notas para encontrar as 2.500 crianças que colocou em famíilias adotivas.

Reuniu-os aos seus parentes disseminados por toda a Europa, mas a maioria tinha perdido os seus familiares nos campos de concentração nazista.

As crianças só a conheciam pelo seu nome chave: Jolanta.

Anos mais tarde, a sua história apareceu num periódico acompanhada de fotos suas da época. Várias pessoas começaram a chamá-la para dizer-lhe

“Recordo a tua cara …sou uma dessas crianças,

devo-te a minha vida, o meu futuro e gostaria de ver-te…”

Irena tem no seu quarto centenas de fotos com algumas daquelas crianças sobreviventes ou com filhos delas:


O seu pai, um médico que faleceu de tifo, quando ela era ainda pequena, inculcou-lhe o siguinte:


“Ajuda sempre o que se está a afogar,

sem levar em conta a sua religião ou nacionalidade.

Ajudar cada dia alguém tem que ser uma necessidade

que saia do coração.”


Irena Sendler leva anos presa a uma cadeira de rodas, devido às lesões que suportou pelas torturas sofridas às mãos da Gestapo.


Não se considera uma heroína.

Nunca se atribuiu crédito algum pelas suas acções.


Sempre que a interrogam sobre o assunto, Irena diz:

"Poderia ter feito mais,

e este lamento continuará comigo até ao dia em que eu morrer.”

Não se plantam sementes de comida.

Plantam-se sementes de bondades.

Tratem de fazer um círculo de bondades,

estas vos rodearão e vos farão crescer mais e mais”.

Irena Sendler

Nercinda C. Heiderich

No Caminho, com Maiakóvski
(Eduardo Alves da Costa)

Assim como a criança humildemente afaga
a imagem do herói, assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombrocom um poeta soviético.

Lendo teus versos,aprendi a ter coragem.
Tu sabes,conheces melhor do que eua velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flordo nosso jardim.
E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,matam nosso cão,
e não dizemos nada.

Até que um dia,o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.

E já não podemos dizer nada.
Nos dias que correm
a ninguém é dado repousar a cabeça
alheia ao terror.

Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.

No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã, diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade como um foco de germes
capaz de me destruir.


In: COSTA, Eduardo Alves da. No caminho, com Maiakóvski.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. (Poesia brasileira).
Nercinda C. Heiderich

Ao findar o labor desta vida

É evidente que lidar com a morte nunca foi e nunca será aceitável, naturalmente.

Por mais que venhamos a discutir sobre este tema, ele nunca será aceito de forma natural, principalmente, pelos familiares, mais próximos.

Infelizmente, o morrer está tão presente em nossos dias que só se sente atingido literalmente, por aqueles cuja saudade permanece eternamente.

A finitude só é menos dolorosa se for de forma preconcebida, onde houve uma permanente presença dos familiares.

Ninguém, em sã consciência, aceita uma morte, dentro de um hospital, clínica, etc., senão há "justa causa"

Mesmo porque estavam em poder de pessoas cujo único objetivo é salvar vidas. E em muitos casos, o paciente não está mal, pedindo a presença de familiares e lhe é negado este direito. Então, acontece o pior e ele desamparado, faz sua última viagem sem se despedir dos que ele tanto, almejou, ver.

A morte, em inúmeros casos, são por descaso.

Esta de dizer: Chegou a hora, era inevitável.!

Esta ideologia foi deturpada em muitas religiões e continuam sendo impregnada nas mentes mais vulneráveis.

Queridos! Não há momento mais duro do que este.

Nercinda C. Heiderich

Minhas lágrimas nunca cessarão de rolar.
Mas, eu sei que um dia, Deus exugará deles toda lágrima,
e a morte não mais existirá,já não haverá mais luto, nem
pranto,nem dor, porque as primeiras coisas passaram.
Nercinda C. Heiderich

Por José Rabelo, Jornal Século Diário


Intrusos. É assim que o governo Paulo Hartung classifica os representantes de organizações de defesa de direitos humanos que vêm ao Estado para apurar as denúncias de violações de direitos que se perpetuam no sistema carcerário do Espírito Santo há mais de uma década. As denúncias, cada vez mais contundentes, mancham a imagem do povo capixaba no Brasil e no mundo.

Nessa sexta-feira (5), não foi diferente. O secretário de Justiça Ângelo Roncalli deu uma ordem expressa para que os representantes da Justiça Global e Conectas, do Conselho Estadual de Direitos Humanos do Espírito Santo (CEDH-ES), do Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Serra (CDDH-Serra) e da Pastoral do Menor, se retirassem da Penitenciária Feminina de Tucum, em Cariacica.

A comissão legítima, que estava vistoriando os presídios do Estado desde a última quarta-feira (3), foi surpreendida com a determinação truculenta do governo. “Não nos deram explicação alguma, simplesmente pediram que nos retirássemos do interior do presídio poucos minutos após a nossa entrada”, contou a diretora da Justiça Global, Sandra Carvalho.

Sandra Carvalho disse que achou a determinação estranha, pois a comissão já havia visitado, nos dias anteriores, os DPJs de Cariacica e Vila Velha, o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Cariacica e a Unidade de Internação Socioeducativa (UNIS), no mesmo município.

O presidente do CEDH-ES, Bruno Souza, declarou ao site da Justiça Global (www.global.org.br) que a expulsão reflete a falta de diálogo e de transparência com que o governo do Espírito Santo trata a questão do sistema prisional. “Tentam de todas as formas ocultar as graves violações de direitos humanos que acontecem sistematicamente nas unidades prisionais do estado. Frequentemente, o governo desrespeita decisões judiciais e determinações de organismos internacionais.”

A diretora da Justiça Global, que acompanha as situações de violações de direitos no sistema prisional capixaba há mais de cinco anos, concorda com Bruno Souza. Sandra lembrou que os conselhos e as organizações do Estado sempre foram impedidos de visitar as unidades prisionais, direito que é previsto em lei. Ela também reclama que o governo não tem se colocado aberto para o diálogo.

O advogado da Conectas, Samuel Friedman, que também participou das vistorias, além da expulsão sumária de Tucum, reclamou de outros impedimentos impostos pelo governo do Estado à comissão. “Fomos proibidos de entrar nos presídios com câmeras fotográficas. Assim fica difícil para materializarmos provas sobre as violações”. Friedman disse que a impressão que se tem e de que o governo quer “esconder alguma coisa”.

Mesmo cerceados, os membros da comissão conseguiram fotografar balas de borracha que teriam sido disparadas contra os detentos do CDP de Cariacica e as internas da Penitenciária de Tucum. Os próprios presos conseguiram entregar as balas aos representantes das organizações. Sandra Carvalho acrescentou também que havia marcas de tiros (armas de fogo) nas paredes das unidades que foram disparados de fora para dentro.


Histórico de intolerância

O governo do Estado passou a ser ainda mais intolerante com as organizações e com os conselhos de direitos humanos a partir de abril de 2009, após o ex-presidente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), Sérgio Salomão Shecaira, produzir um dos relatórios mais contundentes sobre a caótica situação do sistema penitenciário capixaba. À época, Shecaira comparou as “masmorras capixabas” aos campos de concentração nazistas da Segunda Guerra Mundial.

O relatório mobilizou uma verdadeira carreata de comissões de todo o País que queriam comprovar se as atrocidades relatadas por Shecaira não eram exageradas. O relatório, ratificado pelo Conselho Nacional de Justiça e pela Comissão de Direitos da Pessoa Humana da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República – só para citar dois exemplos -, foi parar na mesa do procurador geral da República com um pedido de intervenção federal no Estado, tal era a gravidade das violações.

Comprovando mais uma vez a intolerância do governo capixaba para com o diálogo, Shecaira saiu do Estado sem conseguir discutir os problemas de violações de direitos com os secretários da Justiça e da Segurança, respectivamente, Ângelo Roncalli e Rodney Rocha Miranda, que foram refratários aos pedidos de reunião do ex-presidente do CNPCP.

A tropa de choque do governo tratou a visita de Shecaira como perseguição política ao Espírito Santo. Chegaram a dizer coisas absurdas como: “Se fosse com Minas Gerais, que tem um bancada grande, duvido que eles tivessem coragem de pedir intervenção”.Além disso: “bisbilhoteiro, intrometido” e até “aloprado” foram alguns dos impropérios disparados pelas autoridades do governo contra o ex-presidente do CNPCP.

Na queda de braço com Shecaira, o governo Paulo Hartung levou a melhor. Logo após o pedido de intervenção cair na imprensa, o ministro da Justiça, Tarso Genro, saiu em defesa do Espírito Santo e desautorizou o Shecaira ao anunciar que haveria outra saída que não a intervenção para o Estado.

Em agosto do ano passado, Shecaira deixou a presidência do CNPCP alegando que um dos motivos de sua saída era a crise no sistema penitenciário do Espírito Santo. “Infelizmente, o Ministério da Justiça não me deu o respaldo esperado para resolver os problemas no sistema carcerário do Espírito Santo. Não me restou alternativa, a não ser sair”.

A iniciativa de levar os casos de violações de direitos a instâncias internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e Organizações dos Estados Americanos (OEA), está sendo a saída encontrada pelas organizações não-governamentais para manter as denúncias na pauta.

Segundo o advogado Samuel Friedman, a Conectas tem status consultivo no Conselho de Direitos Humanos da ONU. Friedman explicou que a vinda da Conectas ao Espírito Santo atendia a uma demanda da ONU. “Essa visita é complementar a primeira que fizemos em novembro do ano passado, também em conjunto com a Justiça Global e com os conselhos de direitos humanos do Espírito Santo. Friedman afirmou que, a partir dos novos dados coletados, a comissão vai concluir o relatório e enviá-lo às comissões de Torturas e Execuções Sumárias da ONU e à OEA. Ele disse ainda que o documento, no Brasil, será encaminhado ao CNJ, às comissões de direitos humanos do Senado e da Câmara e inclusive à Procuradoria Geral da República, que continua analisando o pedido de intervenção federal no Estado.

O advogado da Conectas também informou que em março, durante a reunião regular da ONU, em Genebra, as organizações não-governamentais serão ouvidas no Conselho de Direitos Humanos da ONU e os casos de violações no Espírito Santo entrarão na pauta internacional.

O Conselho dos Direitos Humanos da ONU, instituído em março de 2006, é formado por 47 países. Sua criação foi marcada por uma polêmica envolvendo os Estados Unidos, as Ilhas Marshall, Palau, e Israel, países que votaram contra a criação do novo Conselho.

Os Estados Unidos justificaram seu voto contrário alegando que haveria pouco poder envolvido no Conselho e não se conseguiria evitar os abusos contra os direitos humanos que acontecem em todo o mundo.


fonte: Justiça Global